Coluna Vertebral

A Coluna Vertebral é o eixo do corpo e o seu pilar central. De acordo  com Kapandji (2000), podemos  comparar a coluna  vertebral a um mastro de  um navio. Este mastro, apoiado na cintura pélvica, continua até a cabeça e, ao nível  dos ombros, suporta a cintura  escapular.

Segundo Jacob et al. (1990), a coluna vertebral apresenta uma combinação marcante de qualidades estruturais, tornando-a um mecanismo altamente versátil.  Esta  estrutura,  sendo já  suficientemente rígida para fornecer o suporte adequado para o corpo, conta ainda com o apoio dos discos entre as vértebras, os quais, permitem um alto grau de flexibilidade. A coluna vertebral fornece protecção para a espinal medula e raízes nervosas contidas no seu interior.

A espinal medula, por sua vez,  faz parte  do sistema nervoso  central e tem como principal função conduzir os sinais eléctricos entre o cérebro e as diferentes partes do nosso corpo através de fibras nervosas sensitivas e  motoras. De acordo com Knoplich (2002), esta distribui os nervos espinais que se dirigem para a periferia.

Segundo Berkow et al. (1997), a espinal medula é muito organizada, possuindo a sua parte anterior fibras motoras, que transmitem informação aos músculos responsáveis pelo movimento. A parte posterior e lateral contém as fibras sensitivas que levam a informação sensorial ao cérebro, designadamente acerca do tacto, da posição, da dor, do calor e também do frio.

Vista de frente, a coluna vertebral parece ser rectilínea mas, de facto, no plano sagital, ela apresenta quatro curvaturas: a curvatura sacral, a lordose lombar, a cifose dorsal e a lordose cervical. Para Kapandji (2000), a presença  de curvaturas aumenta a sua resistência aos esforços de compressão  axial. Uma coluna vertebral com curvaturas pronunciadas é  do  tipo  funcional dinâmico enquanto uma com curvaturas pouco acentuadas é do tipo funcional estático. A figura 1 apresenta a coluna vertebral e as suas  curvaturas  em  relação à superfície  do corpo.

 Coluna Vertebral em relação à superfície do corpo

coluna vertebral

coluna vertebral

 

 

 

A flexibilidade do eixo vertebral deve-se à sua configuração em múltiplas peças sobrepostas e unidas entre si por elementos ligamentares e musculares. Esta estrutura, apesar de permanecer rígida sob a influência dos tensores musculares,  pode deformar-se.

 

  • – As Vértebras

Todas as vértebras são constituídas de acordo com um mesmo plano básico, embora diferindo de acordo com a região da coluna vertebral.

As vértebras são constituídas pelo corpo vertebral, que é a parte mais espessa da vértebra. O arco posterior é formado por dois pedículos que se projectam posteriormente, sendo completado por duas lâminas que circundam um espaço, o forame vertebral, que permite a passagem da espinal medula. Os processos articulares originam-se lateralmente onde a lâmina e o pedículo se unem com as  superfícies  lisas,  ligeiramente curvadas para a articulação com  as vértebras superiores e inferiores. Os dois pedículos, contêm incisuras superiores e inferiores, que permitem uma  abertura,  o  forame  intervertebral, que permite a passagem de nervos que saem e entram  na medula  espinal.

A coluna vertebral é constituída por 7 vértebras cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sagradas e 4 coccígeas.

Segundo Jacob et al. (1990), as cervicais, torácicas e lombares permanecem separadas por toda a vida e são denominadas móveis. A figura 2 apresenta as vértebras de acordo com as suas características específicas para cada região da coluna.

As 5 vértebras sagradas unem-se na  vida adulta para formarem o sacro,  e as 4 vértebras coccígeas para formarem o cóccix. Estas são denominadas vértebras fixas.

Segundo Knoplich (2002), o encaixe de uma vértebra sobre outra é perfeito, ajustando-se à frente na posição horizontal e na parte de trás  na posição vertical. No entanto, o orifício entre uma vértebra e outra pode ser visto na coluna na posição lateral. Esse orifício permite a saída dos nervos espinhais ou raquidianos,  um  de  cada  lado  da coluna.  A  importância desse orifício é fundamental para explicar a dor das diversas regiões da coluna, pois é aí que o nervo  pode ficar comprimido.

Segundo Kapandji (2000), os nervos que saem pelos forames intervertebrais ocupam pela sua espessura 1/4 a 1/5 do tamanho desse orifício, sendo o restante preenchido pelas veias, artérias e um tecido conjuntivo que  pode sofrer um processo inflamatório e também colaborar no estreitamento da saída do nervo.

Verificamos que a parte anterior da coluna vertebral tem uma função de suporte. A parte posterior, onde se encontram as apófises articulares, sustentadas pelo arco posterior, desempenha uma função dinâmica. A ligação entre a parte anterior e posterior é assegurada pelos pedículos vertebrais. Este mecanismo, se o considerarmos como uma alavanca de primeiro grau, permite  o amortecimento  das forças de compressão.

Entre o sacro e a base do crânio, a coluna vertebral  intercala  24  vértebras móveis e numerosos elementos ligamentares que asseguram a união entre as diferentes vértebras. O conjunto destes  ligamentos  assegura  uma  união extremamente sólida entre as  vértebras,  dando  uma resistência mecânica à coluna vertebral.

  • – O Disco Intervertebral

Entre as vértebras, existe uma estrutura que as une, o  disco  intervertebral. Este encontra-se dividido em duas partes, uma parte central, o núcleo  pulposo, e uma  periférica, o anel fibroso.

Para Eidelson (2010), o disco ajuda a absorver as cargas, distribuindo a pressão e impedindo o contacto entre  as vértebras.

Segundo Kapandji (2000), o núcleo pulposo é constituído por uma substância gelatinosa, constituída por 88% de  água e quimicamente formada  por uma substância fundamental à base de mucopolissacarídeos. Não existem vasos nem nervos no interior do núcleo, no entanto, este é dividido por tractos fibrosos que partem da periferia.

O anel fibroso é constituído por um conjunto de camadas fibrosas concêntricas. O núcleo encontra-se fechado num compartimento  inextensível  entre as vértebras adjacentes. Este anel constitui um  verdadeiro  tecido  de  fibras que impede qualquer exteriorização  da substância do núcleo.

O anel e o núcleo formam um par funcional cuja eficácia depende da integridade de ambos os elementos.

As pressões exercidas sobre o disco intervertebral são importantes, principalmente quanto mais próximo estiver do sacro. Quando  é  exercida pressão sobre o disco, o núcleo actua como distribuidor dessa mesma pressão, em sentido horizontal sobre o anel. O núcleo suporta  75% dessa pressão e o anel apenas 25%. Quando não existe carga sobre o disco, a pressão no centro do núcleo não é nula, persistindo uma pré-tensão devido  ao  estado  de  hidrofilia. Esta pré-tensão do disco permite-lhe resistir melhor às forças de compressão e de inflexão. Quando, com a idade avançada, o núcleo perde as suas capacidades hidrófilas, a sua pressão interna diminui e o estado de pré- tensão tende a desaparecer, o que explica a perda de flexibilidade da coluna.

Quando é realizada pressão sobre a coluna vertebral, a água contida na substância cartilaginosa do núcleo passa para os corpos vertebrais. Se a pressão for mantida durante todo o dia, observamos que no  final  do  dia  o núcleo está nitidamente menos hidratado, podendo deduzir-se que a espessura do disco diminuiu. Pelo contrário, durante a noite, estando o corpo deitado, os corpos vertebrais não sofrem pressão exercida pela força da gravidade. A hidrofilia do núcleo atrai a água que retorna dos corpos  vertebrais.  Assim  somos um pouco mais altos pela manhã sendo a nossa flexibilidade maior no início do dia.

De acordo com Kisner e Colby (2005), o disco intervertebral é um componente do complexo triarticular entre duas vértebras adjacentes. A estrutura do disco dita a sua função. Ao longo da coluna vertebral a altura do disco vai variando, sendo na coluna lombar mais espesso e na cervical menos espesso. O tamanho do disco varia com o tamanho do corpo vertebral, quanto maior o corpo vertebral maior é o disco vertebral. Esta relação tem implicações directas na mobilidade do segmento vertebral, ou seja, na região cervical a mobilidade é maior que na lombar. Quando se realiza uma força  de  alongamento  axial,  os  pratos  vertebrais  tendem  a  separar-se,  aumentado   a espessura do disco. Ao mesmo tempo a sua largura diminui e a tensão das  fibras do anel aumenta,  diminuindo assim a pressão interior do núcleo.

  • – Músculos da Coluna Vertebral

Os músculos do pescoço e tronco, além de permitirem o movimento, actuam como estabilizadores da coluna. Segundo Kisner e Colby (2005), sem a estabilização dinâmica proveniente dos músculos a coluna pode colapsar na posição erecta.

Para Jacob et al. (1990), a coluna vertebral é controlada  e  mantida  erecta por músculos dorsais profundos. Entre esses músculos está o erector espinhal, que se encontra dividido em três segmentos, o iliocostal, o longo e espinhal.

O  iliocostal  é  constituído  por  uma  porção  lombar,  torácica  e  cervical.

Permite a extensão  e inclinação lateral da coluna.

O longo distribui-se pelo tórax, pescoço e cabeça. Permite a extensão e inclinação lateral. O longo da cabeça permite a extensão  e rotação da cabeça.

Por sua vez, o espinhal encontra-se dividido em três partes: tórax,  pescoço e cabeça. Este músculo  permite a extensão da coluna  vertebral.

A acção do erector espinhal é auxiliada pelos interespinhais, intertransversos e rotadores. Estes músculos curtos evitam a rotação da coluna vertebral  quando os músculos  longos se contraem.

A  nível  dos músculos  abdominais, o oblíquo  externo, o oblíquo interno e  o recto do abdómen permitem a flexão  e inclinação da coluna vertebral.

O movimento  lateral da coluna  também é produzido pelos escalenos.

Segundo Kisner e Colby (2005), os músculos do pescoço e tronco são activados e controlados pelo sistema nervoso, que é influenciado por mecanismos periféricos e centrais em resposta a estímulos  externos.

Os músculos da coluna vertebral são constituídos maioritariamente por fibras tipo I, o que reflecte a sua função  postural e  estabilizadora.

  • – Articulações da Coluna Vertebral

O grau de movimento ao longo da coluna  vertebral varia de acordo com   o tipo de articulação e a sua localização.

A articulação atlanto-occipital no processo articular do atlas com  o côndilo do occipital permite a flexão, extensão, abdução, adução e rotação. É uma  articulação do tipo sinovial.

Entre o arco  anterior do atlas e o processo odontóide do áxis encontra-  se a articulação atlanto-axial. É uma articulação do tipo sinovial e permite a rotação do atlas e da cabeça sobre o áxis.

As articulações vertebrais situam-se entre os corpos vertebrais e os processos articulares. Segundo Kapandji (2000), a  articulação  entre  dois corpos vertebrais é uma anfiartrose e não  sinovial.

Em cada vértebra encontramos um processo articular superior e um inferior. Estes encontram-se  na parte posterior da coluna  e são do tipo sinovial.

O movimento entre articulações vertebrais encontra-se restrito, mas é amplo para toda a coluna vertebral, permitindo a flexão, extensão, flexão lateral   e rotação.

Segundo Bridwell (2010), a coluna vertebral é mais estável devido à interligação existente  entre  as articulações vertebrais.

 

  • – Movimento da Coluna Vertebral

A coluna vertebral participa na realização de todos os movimentos de deslocamento do corpo. Segundo Knoplich (2002), o equilíbrio na realização desses movimentos denomina-se de postura dinâmica. Na  posição adequada  de equilíbrio, as vértebras, os discos, as articulações e os músculos, executam essa função sem desgaste e sem estragos. No entanto,  se  todos  os movimentos não forem executados com equilíbrio adequado (postura) as estruturas  anatómicas sofrem um desgaste precoce.

Os movimentos e as amplitudes variam de acordo com a  região  da coluna vertebral. Estes movimentos também  podem  ser  analisados globalmente nas suas unidades funcionais ou em segmentos móveis. Cada unidade funcional é composta por duas vértebras e as articulações entre elas. Segundo Kisner e Colby (2005), o eixo de movimento de cada unidade fica no núcleo pulposo do disco intervertebral. Deste modo, e como a coluna se pode mover de cima para baixo e de baixo para cima, o movimento na unidade funcional é definido como sendo aquele que ocorre com a porção anterior do corpo da vértebra superior.

 

  • – A Coluna Lombar

A coluna lombar situa-se abaixo da região cervical e dorsal e acima da região sagrada. Segundo Eidelson (2010), a coluna lombar é a terceira maior região da coluna vertebral. Como já verificamos, é constituída por cinco vértebras, designadas de L1 a L5. De acordo com Jacob et al. (1990), estas  são as maiores e mais fortes da coluna, sendo as suas projecções curtas e espessas, estando os processos espinhosos modificados para a inserção de poderosos músculos. Estas suportam a maior parte do peso do corpo, sendo aquelas que estão sujeitas a maiores forças e pressões ao longo da coluna vertebral.

Segundo Bridwell (2010), é ao nível de L1, no cone medular, que a espinhal medula se divide em raízes nervosas que inervam os membros inferiores e a extremidade inferior do tronco (figura 3). Este conjunto de raízes nervosas denomina-se de cauda equina. Nesta região podemos encontrar os seguintes pares de nervos provenientes da espinal medula: 5 lombares e 5 sagrados.

A estabilização e controle muscular da coluna lombar são  realizados pelos músculos da parede abdominal, pelos superficiais e profundos da região vertebral. Para Kisner e Colby (2005), os músculos mais superficiais actuam principalmente como movimentadores e têm como função secundária a estabilização da coluna. Os músculos mais profundos agem primariamente na estabilização.

Segundo Bridwell (2010), os músculos e os ligamentos trabalham em conjunto para suportar a coluna, manter a postura e controlar o  movimento durante  o repouso e a actividade.

Os músculos transverso e  oblíquo  interno  do  abdómen  desenvolvem uma tensão que actua como uma cinta dando suporte em volta do abdómen e  das vértebras lombares. Os músculos oblíquos interno e externo do abdómen funcionam em conjunto para a realização da rotação diagonal do tronco, dando estabilidade, constituindo-se ao mesmo tempo como músculos posturais importantes. O recto do abdómen é o flexor primário do tronco. O músculo quadrado funciona como um importante estabilizador da coluna vertebral e também estabiliza as costelas contra a tracção do diafragma durante a inspiração. O multífido lombar é activado com as manobras de “encolher o abdómen” e “imobilização” usadas para a estabilização lombar. Os músculos intersegmentares podem actuar na percepção da posição e do movimento. O músculo ilíaco funciona primariamente como flexor  do  quadril  e  estabilizador das articulações da pelve e quadril. O psoas assiste na estabilização da coluna vertebral  sobretudo quando uma  carga pesada é aplicada no lado contralateral.

Segundo Kisner e Colby (2005), é necessária pouca actividade muscular para manter a postura erecta mas, com o relaxamento total dos músculos, as curvaturas vertebrais tornam-se exageradas e é exigido o suporte estrutural passivo para manter essa postura.

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