Cirurgia de Hérnia Discal

Cirurgia de hérnia

O procedimento cirúrgico, cirurgia de hérnia é uma opção disponível para o tratamento da hérnia discal, embora sua indicação ocorra quando o curso natural do processo em questão segue uma piora
significativa após o uso de medidas não agressivas. O exato ponto em que se conclui que houve falha na aplicação de medidas conservadoras é controverso e pode variar consideravelmente de um indivíduo para o outro, dependendo da severidade dos sintomas e das circunstâncias social e económica dos pacientes, bem como de sua relação com o médico (Schiltenwolf, 1999).
Detectar esse ponto crucial constitui verdadeiro desafio para o conhecimento e experiência do profissional médico. Em casos questionáveis, investigações adicionais incluindo nível de proteína
do fluido espinal e exame da atividade fibrinolítica podem esclarecer e conduzir a uma melhor decisão.

Indicações definitivas de cirurgia:

  • são a síndrome da cauda eqüina, dor insuportável e progressivo eenfraquecimento muscular.
  • Em outros casos, a indicação de cirurgia de hérnia é relativa e depende essencialmente da duração dos sintomas; da estenose do canal vertebral ou foramen e da qualidade e severidade dos
    sintomas. A presença isolada de déficit motor ou sensorial não é indicação para cirurgia, visto que as chances de recuperação são semelhantes, tanto com a aplicação do tratamento conservador como do cirúrgico.

Poucos estudos existem comparando a eficácia entre os tratamentos conservador e a cirurgia de hérnia. Uma das causas reside no fato de que não há uniformização nos estudos realizados, com relação ao diagnóstico, composição da amostra de pacientes, delineamento experimental e uniformização de critérios que meça os resultados. A seleção apropriada de pacientes, bem como a combinação do diagnóstico claro sobre a raiz do nervo afetado e os achados patológicos correspondentes parecem ser a condição mais importante para o sucesso da cirurgia de hérnia.
Pacientes que demonstram boa expectativa quando optam por esse procedimento apresentam recuperação mais rápida, razão pela qual a decisão pela cirurgia deva ser comungada entre médico e paciente.

Dentre os estudos comparativos, Kakelius (1970) acompanhou pacientes tratados de modo conservador e cirúrgico por um período de 7 anos e 4 meses. No início, os resultados mais promissores foram encontrados entre aqueles submetidos à cirurgia, no entanto após 6 meses nenhuma diferença significativa foi observada entre os dois grupos de pacientes.

Esses dados sugerem que a hérnia discal é uma condição transitória, cuja solução ocorre independentemente do método aplicado. Resultados similares foram obtidos por Weber (1983)64, com
significativa melhora no grupo de pacientes operados após o primeiro ano, em comparação ao grupo submetido ao tratamento conservador. Entretanto, essa significância se dissipa, tornando-se semelhante após 4 anos e igual após 10 anos.

O confronto dos benefícios entre os procedimentos cirúrgico e não cirúrgico foi realizado em estudo prospectivo. Embora houvesse sobreposição dos sintomas entre pacientes tratados de modo conservador ou cirúrgico, esses últimos relataram melhora significativa após um ano. Todavia, efeitos sobre o trabalho e compensações empregatícias foram semelhantes nos dois grupos. Não foi observada diferença entre os pacientes submetidos à cirurgia e aqueles com sintomas leves tratados de modo conservador.

Assim sendo, pode-se depreender que a comparação entre os dois tratamentos mantém inalterada a eficácia do método conservador (Zentner et al.,1997; Simotas et al., 2000)69;54. Pode-se mesmo estender o tratamento conservador por mais de 8 semanas, uma vez que muitos pacientes demonstram recuperação progressiva. Essa medida torna-se, portanto, uma aliada adicional no adiamento da cirurgia, que deve ser considerada apenas diante da ineficiência do método conservador .

Os casos que apresentam absorção completa da hérnia de disco reforçam a indicação do tratamento conservador. Do mesmo modo, há resultados positivos desse tratamento (Ahn et al., 2000), com relação à diminuição das hérnias de disco transligamentares (ligamento longitudinal posterior).

Atualmente, diante do novo cenário envolvendo os planos de saúde, todas as cirurgias eletivas de alto custo necessitam ser revistas e a cirurgia de hérnia discal é um exemplo típico (Stevens et al.,1997)56.

Segundo Malter & Weinstein (1996)41, os resultadosde estudos que relatam a estimativa custo- benefício dessas cirurgias são inconsistentes. Se forem considerados os benefícios a longo prazo, o procedimento cirúrgico não demonstra ser mais efetivo do que o conservador.
A variação de opinião dos especialistas e a falta de uma metodologia sistemática obstruem o desenvolvimento de guias clínicos confiáveis para serem postos em prática. Há a necessidade de serem elaborados protocolos padronizados que quantifiquem,
comparem e sumarizem os julgamentos de diferentes especialistas sobre o melhor tratamento a ser adotado.

 

cirurgia para hérnia discal

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