Tratamento Conservador Hérnia

Tratamento Conservador Hérnia

A dor que acompanha e caracteriza a hérnia de disco é geralmente causada por herniação, degeneração do disco e por estenose do canal espinal (Magnaes, 1999). Contudo, esses processos, por si só, não são responsáveis pela dor e, portanto, devem ser também contabilizadas a compressão mecânica e as
mudanças inflamatórias ao redor do disco e da raiz do nervo.

As desordens músculo- esqueléticas estão entre as mais comuns condições em que o paciente necessita alívio e na medicina ocidental, a terapia conservadora tem sido a preferida como a primeira escolha na
grande maioria dos casos. Embora a opção de tratamento seja ainda uma questão em aberto (Herno et al.,1996). Três são os objetivos desse tratamento, quer sejam, o alívio da dor, o aumento da capacidade funcional e o retardamento da progressão da doença.

Entende-se por tratamento conservador da hérnia a imposição, ao paciente, de relativa à completa imobilização da região lombar em associação com diferentes metodologias auxiliares, como o uso
de cintos e coletes, a manipulação, o programa de atividade física, a tração, a crioterapia, a acupuntura e a prescrição de analgésicos e anti-inflamatórios.
Após estudar diferentes tratamentos conservadores para Hérnia, Söderberg afirmou, em 1956, que somente a imobilização assegurada pelo repouso absoluto e auxiliada pelo uso de colete pode ser encarada como tratamento de real valor terapêutico. Anos após, Armstrong (1965) corroborou com essa
assertiva, postulando além disso, que a imobilização pode ter graus variados, desde intensidade relativa até o rigoroso repouso, situação em que o paciente fica proibido de sentar-se, objetivando-se, nesse caso, evitar-se certos movimentos que gerem tensão dorsal Referências em Kakelius, 1970.

É importante salientar que o tratamento conservador hérnia é indicado na redução do processo inflamatório em razão dos efeitos colaterais decorrentes da inatividade prolongada, desse modo a volta à
mobilidade deve ocorrer, de forma gradual, uma semana após o início (Ernst & Fialka, 1993a).

A indicação de coletes e cintos durante o repouso é incerta, pois é somente recomendada como forma de imobilização parcial em dores específicas.

A manipulação

A manipulação é um tratamento conservador hérnia caracterizado por movimentos passivos abruptos da vértebra além de seu limite fisiológico, mas dentro do limite anatômico, é vista com cautela, dado que esse método mais agressivo não tem demonstrado abreviar o curso da enfermidade, nem tampouco reduzir a morbidade (Young et al.,1997)

O mecanismo de ação da manipulação não é bem entendido, no entanto teorias atuais propõem que a dor provém de um desequilíbrio da atividade muscular, que através da ação reflexiva, a manipulação pode aliviar (Fiechtner & Brodeur, 2000). Embora ainda permaneçam dúvidas sobre a adoção da terapia auxiliar de manipulação, há indicações de seu uso antes de se decidir pelo procedimento cirúrgico (Bergmann & Jongeward, 1998).
Os princípios e benefícios de exercícios apropriados são bem conhecidos e a motivação do paciente para executar atividade física é geralmente maior durante duas a três semanas após o período de inabilidade. Se, no entanto houver recorrência da enfermidade, os exercícios deverão ser descontinuados e
reiniciados somente após a remissão dos sintomas. Esse programa deve incluir exercícios de flexibilidade e alongamento, com aumento gradual em sua execução (AAOS, 1996)

O efeito da terapia não parece ser devido à reversão da debilidade física, mas sim a algum efeito central,
envolvendo provavelmente um ajustamento de percepção em relação à dor e incapacidade.

 

tratamento conservador para hérnia discal

tratamento conservador hérnia

Os resultados obtidos com a aplicação da tração não têm demonstrado efeitos positivos no alívio da dor, na mobilidade da espinha ou nos sinais neurológicos. Todavia a auto- tração, método
em que o paciente executa por si mesmo a tração, tem conferido respostas mais eficazes em comparação ao uso de coletes e repouso.

A crioterapia parece, por sua vez, ter algum efeito sobre o espasmo muscular, dado que a vaso- constrição provocada pelo gelo reduz a hiperemia, promovendo ao mesmo tempo, a vasodilatação periférica compensatória reflexa. O calor também é uma medida física auxiliar no tratamento da dor e pode ser superficial, efetuado por meio do uso de bolsa térmica, ou profundo com o
emprego de ondas curtas e ultra-som. No entanto, cuidados devem ser tomados na tentativa de se evitar queimaduras decorrentes da anestesia e hipoestesia locais. O uso do calor profundo é contra-indicado em pacientes com tumores, implantes metálicos e marca- passos, em gestantes, nos processos infecciosos supurativos , sobre órgãos gonadais e em crianças.

Com relação à prescrição de analgésicos, pode-se dizer que os mesmos são necessários, uma vez que o alívio rápido da dor periférica é capaz de prevenir a evolução para o estado crónico, sendo também um coadjuvante útil para manter o paciente em repouso (Ernst & Fialka, 1993). Os relaxantes musculares são usados, sendo úteis em pacientes com severo espasmo muscular para- vertebral, porém devem ser empregados por curto período. A morfina e outras drogas que induzem dependência devem ser evitadas, embora possam ser indicadas em casos extremos.

No lugar delas, podem ser administradas drogas psico- ativas, indicadas nos casos de pacientes com dor crônica complicada por um componente de ansiedade e depressão, bem como o uso de anestésicos que têm demonstrado boa resposta.

Por ser a hérnia de disco uma síndrome de dor neuropática, causada por compressão e/ou inflamação da raiz nervosa espinal, seu tratamento não prescinde de anti-inflamatórios não hormonais, empregados como primeira instância (Viton et al.,1998; Bratton,1999)64;17.

Em caso de insucesso são substituídos pelos hormonais. Por outro lado, a injeção epidural de esteróides e a infiltração peri-radicular são recomendadas por alguns pesquisadores, apesar da literatura científica apresentar resultados conflitantes (Hopayian & Mugford, 1999).
A acupuntura como tratamento conservador hérnia tem apresentado bons resultados, uma vez que
seu efeito parece estar relacionado à liberação de váriosneurotransmissores que, por sua vez inibem ou excitam as sinapses (Yamamura et al.,1995), proporcionando significante melhora dos sintomas apresentados em curto espaço de tempo (Bullock et al.,1999)18. Em vista dos resultados promissores que têm sido obtidos com o uso da acupuntura no alívio da dor, há a sugestão de se explorar mais seu uso (Longworth & Mc Carthy, 1997.
Além dessas, muitas outras propostas alternativas de tratamento conservador hérnia têm surgido, no entanto não há suficiente suporte de estudos científicos, havendo como conseqüência um crescimento
lento dessa área. A execução de tentativas clínicas é difícil, com a agravante de demandar extrema habilidade, honestidade e neutralidade do pesquisador.

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