Osteoporose

O QUE É OSTEOPOROSE

Osteoporose é uma doença metabólica, sistêmica, que acomete todos os ossos. É uma diminuição progressiva da massa óssea, que faz com que os ossos se tornem mais frágeis e propensos às fraturas.A prevalência da osteoporose, acompanhada da morbidade e mortalidade de suas fraturas, aumenta a cada ano. Estima-se que a proporção da osteoporose para homens e mulheres seja de seis mulheres para um homem a partir dos 50 anos e duas para um acima de 60 anos. Aproximadamente uma em cada três mulheres vai apresentar uma fratura óssea durante a vida.

O osso é uma estrutura viva que precisa para se manter saudável de cálcio e fósforo, para remodelar o osso velho por osso novo. A osteoporose ocorre quando o corpo deixa de formar material ósseo novo suficiente, ou quando muito material dos ossos antigos é reabsorvido pelo corpo em vários casos ocorrem as duas coisas. Se os ossos não estão se renovando como deveriam, ficam cada vez mais fracos e finos, sujeitos a fraturas.

O organismo requer um fornecimento adequado de cálcio e de outros minerais para mantera densidade dos ossos. Deve, além disso, produzir as quantidades convenientes de hormonas como a paratiróidea, a do crescimento, a calcitonina, os estrogénios nas mulheres e a testosterona nos homens.

Também precisa de um fornecimento adequado de vitamina D para absorver o cálcio dos alimentos e incorporá-lo nos ossos. Estes aumentam a sua densidade até atingir o seu valor máximo por volta dos 30 anos de idade. A partir de então, a densidade diminui lentamente.

Quando o organismo não é capaz de regular o conteúdo mineral dos ossos, estes perdem densidade e tornam-se mais frágeis, provocando osteoporose.

QUAIS SÃO AS CAUSAS DA OSTEOPOROSE?

São várias as causas e os fatores favorecedores da osteoporose. As principais são: menopausa, história familiar, constituição física magra, raça branca ou asiática, baixa ingestão de cálcio, diabetes mellitus, falta de exposição ao sol, pouca atividade física, fumar, consumo de álcool e café e doenças crônicas debilitantes. Aproximadamente 80% dos pacientes são portadores de osteoporose da pós-menopausa ou de osteoporose senil e nos 20% restantes pode ser identificada outra condição da qual a osteoporose é secundária.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA OSTEOPOROSE?

A osteoporose é uma doença de progresso lento e raramente apresenta sintomas. Se não forem feitos exames periódicos de controle (de sangue e de massa óssea), a primeira manifestação dela costuma ser uma fratura óssea na ausência de traumas ou ante traumas insignificantes, acompanhadas dos sintomas que lhes corresponde.

Os ossos mais vulneráveis às fraturas, em virtude de serem os mais submetidos a grandes cargas, são os da coluna, punhos, bacia e o fêmur. As fraturas de bacia são as de mais difíceis correções e podem levar a invalidez permanente. Todas as demais, em vista do estado degenerativo dos ossos, são de difícil consolidação e podem exigir cirurgias e aplicação de próteses. A osteoporose pode, também, provocar deformidades ósseas e reduzir a estatura do doente.

COMO SE DIAGNOSTICA A OSTEOPOROSE?

O diagnóstico e o tratamento precoces da doença são fundamentais para a prevenção das fraturas. O diagnóstico precoce faz-se através de uma densitometria óssea, que permite identificar as categorias e avaliar o risco de fraturas. Em geral, a densitometria óssea avalia sobretudo a densidade dos ossos da coluna, quadril e pulsos. Podem ser feitas avaliações laboratoriais e radiografias da coluna dorsal e lombar de perfil, para rastrear a presença de deformação vertebral, entre outros exames.

COMO EVOLUI A OSTEOPOROSE?

Embora as lesões estabelecidas não tenham cura, a evolução da osteoporose pode ser retardada por medidas preventivas, como exercícios físicos regulares; dieta com alimentos ricos em cálcio (leite e derivados, por exemplo), verduras (como brócolis e repolho), camarão, salmão e ostras; reposição hormonal quando bem indicada na menopausa. As fraturas às quais a osteoporose pode levar são as ocorrências mais sérias.

Deve-se ter em conta que uma fratura em uma pessoa idosa implica num risco significativo de complicações e que as fraturas devido à osteoporose, em geral, são graves e deixam sequelas.

Acredita-se que ela possa ser acelerada nos fumantes, consumidores de café em excesso, nos diabéticos e naqueles que têm uma atividade física inadequada (exagerada ou ausente).

Existem várias medicações indicadas para o tratamento da osteoporose, que individualizadas a cada caso. Quando diagnosticada, a osteoporose tem uma ou outra indicação de medicamento, a depender da gravidade ou das causas secundárias.

A osteoporose é caracterizada por uma perda da densidade óssea e deterioração do tecido ósseo com subsequente aumento da fragilidade óssea e da susceptibilidade às fraturas. As fraturas osteoporóticas afetam mais frequentemente as mulheres pós menopáusicas, e a sua incidência aumenta com a idade. A osteoporose constitui um grave problema de saúde pública devido à sua elevada prevalência, à mobilidade, à diminuição da qualidade de vida e aos custos sociais e econômicos que acarreta.  Por outro lado, o aumento da esperança de vida tende a agravar este problema e a aumentar exponencialmente o número de indivíduos em risco de sofrer de osteoporose. Em Portugal, de acordo com o Programa Nacional contra as Doenças Reumáticas a osteoporose causa anualmente “cerca de 40 mil fraturas, das quais 8 500 do fémur proximal, as quais se estima gastarem mais de 50 milhões de euros só em cuidados hospitalares e serem causa de mobilidade e mortalidade apreciáveis”.

RECOMENDAÇÕES PARA O DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICA DA OSTEOPOROSE

A abordagem correta da osteoporose deve ter como “principal objetivo a redução de fraturas ósseas, fomentando um bom pico de massa óssea e prevenindo a perda óssea acelerada”, assim como reduzir ou eliminar os fatores que contribuem para o aumento da frequência das quedas nos idosos. Existem diversos fármacos disponíveis em Portugal para a prevenção e tratamento da osteoporose, nomeadamente o Cálcio, associado ou não à Vitamina D, os Bifosfonatos, a Calcitonina, o Raloxifeno, o Ranelato de Estrôncio e a Teriparatida.

O Cálcio e a Vitamina D são normalmente administrados em associação sendo aconselhada a sua administração na prevenção da Osteoporose sempre que o aporte na alimentação se verifique insuficiente. Os Bifosfonatos são fármacos que inibem a reabsorção osteoclástica óssea e aumentam a densidade mineral óssea. Atualmente, com indicação para o tratamento da osteoporose, estão disponíveis em Portugal o Ácido Alendrónico, isolado ou em associação com Colecalciferol, o Ácido Ibandrónico e o Ácido Risedrónico.  O Raloxifeno, é o único Modulador Seletivo do Receptor do Estrogénio, disponível no mercado, e atua como agonista dos estrogénios no metabolismo ósseo e lipídico e como antagonista no tecido mamário.

A Calcitonina é uma hormona polipeptídica diretamente envolvida com a paratiróide na regulação da absorção óssea, na manutenção do balanço do Cálcio e na homeostase. No entanto, por ser menos eficaz que os fármacos acima mencionados, a sua utilização está indicada apenas quando estes estão contraindicados

Mais recentemente foram introduzidos no mercado a Teriparatida e o Ranelato de Estrôncio. A Teriparatida é um análogo da hormona paratiróide e estimula a formação óssea, através de uma ação direta sobre os osteoblastos. O Ranelato de Estrôncio tem um duplo efeito ao nível do metabolismo ósseo, pois reduz a reabsorção e aumenta a formação óssea.  Este grupo de fármacos tem apresentado um crescimento acentuado e atualmente encontra-se nos 10 subgrupos terapêuticos com maior peso no crescimento da despesa no mercado total de medicamentos.

Relativamente à Terapêutica Hormonal de Substituição (THS), a EMEA em 2003, publicou um parecer que, entre outros aspectos, considera desfavorável o balanço benefício-risco do uso da THS na prevenção da osteoporose por longos períodos de tempo, em mulheres com risco acrescido defraturas. A THS deverá ser utilizada apenas na prevenção da osteoporose nos casos de intolerância ou contraindicação a outras terapêuticas. A tendência de utilização da THS em Portugal refletiu as recomendações internacionais decorrentes das questões de segurança associadas a esta terapêutica, tendo se verificado entre 2003 e 2007 um decréscimo de 46% na despesa a PVP com estes fármacos. Devido ao impacto elevado na mobilidade das fraturas decorrentes da Osteoporose, assim como ao elevado peso destes medicamentos no crescimento da despesa, este estudo pretende analisar a evolução da utilização e da despesa dos medicamentos indicados na prevenção e tratamento da osteoporose em Portugal Continental.

Raloxifeno: Conhecidos internacionalmente pela sigla SERM (selectiveestrogen receptor modulator), os moduladores seletivos de receptores estrogênios atuam estimulando ou inibindo a ação desses receptores. O raloxifeno é o SERM que possui efeito antirreabsortivoósseo, ou seja, ele inibe a reabsorção óssea. Ele promove o ganho de massa óssea na coluna lombar e colo do fêmur, bem como redução de fraturas vertebrais. O raloxifeno é recomendado para a prevenção e o tratamento da osteoporose da coluna vertebral. Não está recomendado para a redução de fraturas nãovertebrais e deve ser empregado somente em pessoas sem sintomas vasomotores.

Bisfosfonatos: Os bisfosfonatos são compostos com ação antirreabsortiva dos ossos. Existem vários tipos de biofosfonatos com características específicas para o tratamento de diferentes aspectos da osteoporose. O alendronato, o risedronato e o ibandronato são alguns tipos que podem ser administrados por via oral. Há também o zoledronato, que é administrado por infusão endovenosa. Em estudo clínicos, o ibandronato se mostrou eficaz na redução de fraturas vertebrais, já o risedronato, o alendronato e zoledronato são efeitos na redução de fraturas vertebrais e não-vertebrais, incluindo as de quadril. Todos os biofosfonatos citados são recomendados tanto para prevenção quanto para o tratamento da osteoporose.

Ranelato de estrôncio: O ranelato de estrôncio apresenta efeitos sobre a formação e a reabsorção óssea. Ele estimula os osteoblastos e reduz a função osteoclástica, ou seja, aumenta a formação de massa óssea e reduz a reabsorção, principalmente na coluna lombar e no colo do fêmur. O ranelato de estrôncio é recomendado para prevenção e tratamento da osteoporose na pós-menopausa.

Teriparatida: A teriparatida é uma substância que se liga ao receptor do hormônio PTH da paratireoide. Ela atua estimulando a formação dos osteoblastos, que são células responsáveis pela formação dos ossos. O maior diferencial do tratamento com teriparatida é que ela promove o crescimento do osso em vez de inibir a reabsorção óssea, como as outras classes de medicamentos. Sua administração resulta em ganho de massa óssea na coluna lombar e no colo do fêmur, além de redução do risco de fraturas vertebrais e não-vertebrais. A teriparatida tem indicação para o tratamento da osteoporose em pacientes de alto risco para fraturas, sendo administrado por via subcutânea. É usado principalmente para pacientes que usam medicamentos a base de corticoides.

Desonumab: O desonumab é um mecanismo de ação diferente, chamado de anticorpo monoclonal. Para entender a ação desse medicamento, vamos pensar nos osteoclastos e osteoblastos, que são as células destruidoras e formadoras dos ossos. Essas células se comunicam entre si para saber quando é preciso fazer uma reabsorção ou uma formação. Quando a mulher entra na menopausa, essa comunicação pode ficar alterada, levando a uma maior destruição do que criação óssea. A medicação atua nesse mecanismo específico de comunicação entre as células, retornando o equilíbrio. O desonumab é ministrado por via oral e faz parte de uma nova classe de medicamentos, os biológicos.

Calcitonina: A calcitonina é um hormônio constituído de 32 aminoácidos produzidos por um grupo de células da tireoide. Ela atua inibindo a ação do paratormônio (PTH), um hormônio. A calcitonina e o paratormônio, quando estão em quantidades adequadas, equilibram a concentração de cálcio no sangue – o primeiro diminui o cálcio no sangue e o segundo, aumenta. Como consequência, o paratormônio estimula a reabsorção de cálcio e fosfato dos ossos e a absorção de cálcio pelos rins e intestino, ao passo que a calcitonina inibe a reabsorção óssea e diminui a reabsorção de cálcio no rim. Quando esses hormônios não estão equilibrados e o paratormônio está em maior quantidade, a reabsorção óssea aumenta, podendo levar à osteoporose. A calcitonina para o tratamento da osteoporose é obtida do salmão por síntese laboratorial, sendo cerca de 20 a 40 vezes mais potente que a humana. Seu principal efeito é inibindo a absorção de cálcio nos rins. Pode ser administrada tanto por injeção intramuscular ou subcutânea quanto por aplicação nasal. A calcitonina de salmão é considerada uma medicação de segunda linha para osteoporose, podendo ser recomendada no tratamento da osteoporose pós-menopáusica e para a redução de fraturas vertebrais.

Terapias

Reposição de estrogênio: Enquanto a mulher está em período fértil (menstruando) existe a produção acentuada do hormônio estrogênio. Quando abundante no corpo da mulher, o estrogênio retarda a reabsorção do osso, reduzindo a perda, além de ser responsável pela fixação do cálcio nos ossos, contribuindo para o fortalecimento do esqueleto. Em contrapartida, a mulher durante e após a menopausa tem uma produção muito reduzida de estrogênio, uma vez que ele não é mais necessário para o ciclo menstrual. O hipoestrogenismo irá contribuir para a perda de massa óssea mais acelerada, principalmente nos primeiros anos do pósmenopausa. Dessa forma, a menopausa pode ser um gatilho para a osteoporose. A terapia de reposição hormonal é eficaz na prevenção da osteoporose e de fraturas vertebrais e nãovertebrais. No entanto, ainda não há evidência suficiente para recomendar o tratamento na redução do risco de fraturas no tratamento da osteoporose estabelecida. A tibolona, composto sintético derivado da testosterona e usado na reposição hormonal, atua sobre a remodelação do osso, promovendo ganho de densidade óssea. É administrada por via oral. O uso prolongado da terapia de reposição hormonal, por mais de cinco anos, com associação de estrogênios e progestagênios, produz um pequeno aumento do risco de câncer de mama de aproximadamente oito casos em cada 10.000 mulheres/ano. A terapia de reposição hormonal tem indicação no início do climatério para prevenção da perda de massa óssea em mulheres com fatores de risco associados, não estando indicada para o tratamento da doença estabelecida.

Suplementação de cálcio e vitamina D O cálcio e o fósforo são os principais nutrientes para constituição do osso. Para ser fixado aos ossos, o cálcio necessita da ação do hormônio estrogênio, que tem sua produção diminuída durante e após a menopausa, fator que leva à progressiva perda de massa óssea nessa etapa da vida. Por isso, a ingestão adequada de cálcio e sua suplementação são indicados para o tratamento e prevenção da osteoporose. Já a vitamina D é um nutriente importante na manutenção da saúde óssea, uma vez que suas principais funções são a regulação da absorção intestinal de cálcio e a estimulação da reabsorção óssea. As fontes de vitamina D incluem luz solar, dieta e os suplementos. Estima-se que 90% dos adultos entre 51 e 70 anos de idade não recebem a suficiente vitamina D de forma natural, sendo recomendada a suplementação. Recomenda-se que a suplementação de cálcio seja feita em associação com 800-1000UI de vitamina D ao dia. Não se recomenda o tratamento exclusivo da osteoporose com vitamina D isolada ou em conjunto com cálcio, porém o uso complementar desses nutrientes é fundamental para uma formação óssea adequada.

Partilha nas redes sociais
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •