Paralisia Cerebral

O QUE É PARALISIA CEREBRAL?

Paralisia cerebral ou encefalopatia crônica não progressiva é uma lesão de uma ou mais partes do cérebro, provocada muitas vezes pela falta de oxigenação das células cerebrais.

Paralisia Cerebral (PC) é um termo geral que engloba manifestações clínicas muito variadas, que têm em comum a dificuldade motora consequente a uma lesão cerebral.

É um distúrbio congénito que afeta o movimento, o tônus muscular ou a postura.
Para que uma criança com dificuldade motora tenha o diagnóstico de PC, é necessário:

  1. Que a lesão neurológica tenha acontecido durante a fase de desenvolvimento do sistema nervoso central (SNC) (fase que vai desde o momento da concepção até os 2 anos de idade);
  2. Que a lesão neurológica não seja uma lesão progressiva. A criança vai apresentar mudanças decorrentes de seu crescimento e amadurecimento, mas a lesão em si é estacionária, ou seja, não vai piorar e também não vai desaparecer.

Para ficar mais claro:

 

O QUE CAUSA A PARALISIA CEREBRAL?

Qualquer agressão ao cérebro em desenvolvimento pode causar PC(Paralisia Infantil).
Para facilitar a melhor determinação das causas da Paralisia Cerebral, costuma-se dividi-las em 3 tipos:

  1. Pré-natais: são as lesões que ocorrem antes do nascimento. Algumas doenças da gestante podem comprometer a formação das estruturas neurológicas do feto dentro do útero, como a diabete, a pressão alta e infecções virais como a rubéola e a toxoplasmose, além do uso de certas substâncias pela futura mãe (Ex: álcool, drogas e tabaco).
  2. Peri-natais: são as lesões neurológicas que acontecem no período que vai do começo do trabalho de parto até 6 horas após o nascimento. É um período curto em que o bebê passa por grandes transformações a que tem que se adaptar rapidamente. A prematuridade, o baixo peso, o trabalho de parto muito demorado, entre outras situações, predispõem o sistema nervoso imaturo a não efetuar essa adaptação com a rapidez suficiente, ocorrendo então a lesão.
  3. Pós-nataisdurante a infância, infecções como a meningite, traumas cranianos e tumores podem comprometer o sistema nervoso que ainda está se desenvolvendo. Quando esses problemas agudos são resolvidos, muitas vezes deixam “cicatrizes” que podem comprometer o desenvolvimento normal, levando às alterações clínicas típicas da PC. Após os dois anos de idade, o SNC encontra-se completamente desenvolvido, portanto, o mesmo tipo de agressão ao sistema nervoso após essa idade vai causar sintomas diferentes, não mais definidos como PC.

 

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA PARALISIA CEREBRAL?

As manifestações clínicas da PC (Paralisia Cerebral) são muito variáveis de criança para criança, pois dependem da gravidade e extensão da lesão e da área neurológica comprometida. O denominador comum entre elas é o distúrbio motor.

Os sintomas incluem reflexos exagerados, membros moles ou rígidos e movimentos involuntários. Eles aparecem no início da infância.

Além dele, outros sintomas neurológicos podem ou não estar presentes, entre eles: crises convulsivas, dificuldades visuais, dificuldades de fala, problemas para alimentação e função respiratória, deficiência auditiva, deficiência mental, entre outros. A presença desses outros sintomas é muito variável entre os pacientes e pode interferir no desenvolvimento global de cada um.

Detalhando melhor, as pessoas podem ter:

  • Nos músculos: dificuldade com movimentos corporais, dificuldade para caminhar, encurtamento permanente de músculo, fraqueza muscular, movimentos involuntários, músculos rígidos, problemas de coordenação, rigidez muscular, espasmos musculares, paralisia de um lado do corpo ou reflexos hiperativos;
  • No desenvolvimento: atraso de fala em uma criança, crescimento lento, dificuldade de aprendizagem ou falha de crescimento;
  • Na fala: distúrbio da fala ou gagueira;
  • Também comum: ataque epiléptico, bruxismo, claudicação, deformidade, dificuldade para engolir, incontinência urinária, marcha em tesoura, marcha espástica, paralisia, prisão de ventre, pé pendente, sialorreia, surdez ou tremor.

 

O QUE É DISTÚRBIO MOTOR?

O SNC engloba os órgãos que comandam nossa função motora, ou seja, nossa capacidade para movimentar nossos braços e pernas, para andar, nos equilibrar, mastigar, engolir, tossir, etc. Quando alguma de suas áreas está comprometida, o movimento não vai acontecer de forma normal: essa alteração é conhecida como distúrbio motor.

As alterações motoras estão sempre presentes na pessoa com paralisia cerebral, variando muito em sua distribuição, tipo e gravidade.

QUAIS OS TIPOS DE DISTÚRBIO MOTOR QUE SE ENCONTRAM NA PC?

As alterações motoras são típicas da área do SNC que foi lesada.
Classifica-se clinicamente a Paralisia Cerebral de acordo com o tipo de dificuldade motora:

  1. PC espástica: é o tipo mais comum, e ocorre por lesão do córtex motor do cérebro, região que comanda primariamente os movimentos. Nesse tipo, os músculos têm, ao mesmo tempo, a força diminuída e o tônus aumentado, o que se chama espasticidade. Os pacientes apresentam os músculos enrijecidos, sendo difícil fazer o movimento tanto pelo próprio paciente como por outra pessoa. Os músculos mais tensos crescem menos, e por isso, a criança, com o tempo, pode desenvolver encurtamentos musculares, conhecidos como contraturas. O crescimento dos ossos, influenciado pela tensão dos músculos, também pode ser alterado, evoluindo para as deformidades. Além disso, o desenvolvimento motor, a aquisição das atividades motoras como sentar, engatinhar e andar, é atrasado de forma leve, moderada ou grave.
  2.  PC extra-piramidal: acontece por lesão de áreas mais profundas do cérebro conhecidas como núcleos da base ou sistema extra-piramidal responsável pela modulação do movimento, ou seja, pela inibição de movimentos indesejados, Nesse tipo de lesão, o movimento acontece, mas de forma exagerada, sem modulação, gerando o que se define como movimentação involuntária. A criança apresenta movimentos que lembram os de uma marionete, podendo ser muito amplos, ou coreicos, ou mais rápidos e distais, os atetóides; quando esses movimentos mantêm a criança em posturas muito diferentes, assimétricas e fixas, recebe o nome de distonia. Neste tipo clínico, o atraso do desenvolvimento motor também vai acontecer, mas as deformidades ortopédicas e o comprometimento mental são menos comuns.
  3. PC atáxico: esse tipo clínico de PC é o mais raro. Acontece por lesão do cerebelo, área do SNC responsável pelo equilíbrio e coordenação. As crianças com esse tipo de lesão geralmente apresentam tremores, incoordenação tanto das mãos, como dos membros inferiores e do tronco e, quando andam, não conseguem fazê-lo em linha reta. Nestes pacientes também é raro ocorrerem deformidades, mas as alterações de fala e o comprometimento mental são comuns.

 

COMO SE DISTRIBUI NO CORPO O DISTÚRBIO MOTOR?

Dependendo da distribuição do comprometimento motor, classifica-se a paralisia cerebral em 3 tipos:

  1. Tetraparesia: é o comprometimento global, em que tanto os membros superiores como inferiores estão alterados com a mesma gravidade. Geralmente aqui existe um atraso do desenvolvimento motor importante, e, de forma geral, o potencial de independência, nestas crianças, é bastante limitado.
  2. Diparesia: o comprometimento é mais acentuado nos membros inferiores que nos superiores, ou seja, a função das mãos é mais preservada. Neste caso, a possibilidade de adquirir mais independência é maior.
  3. Hemiparesia: é o comprometimento de um lado do corpo, direito ou esquerdo, dependendo do lado (hemisfério) do cérebro que foi lesado. A grande maioria das crianças hemiparéticas vai ter um bom desenvolvimento global, porém, muitas vezes, a principal dificuldade decorre de problemas de comportamento ou de compreensão.

 

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DE PC?

O diagnóstico da Paralisia Cerebral é clínico, o que quer dizer que o médico chega à conclusão que a criança tem PC através das informações recebidas da família (história) e da avaliação do paciente (exame físico).

Não existe nenhum exame complementar que faça o diagnóstico de PC. Como o próprio nome diz, os exames de laboratório ou de imagem são complementares, e são pedidos pelo médico para ajudar a compreender melhor o quadro clínico de cada criança.

QUAL É O TRATAMENTO DA PC?

A PC não tem cura, pois é consequência de uma lesão irreversível no SNC. O tratamento em longo prazo inclui fisioterapia e outras terapias, remédios e, às vezes, cirurgia.

Todo tratamento tem por objetivo permitir que cada criança desenvolva seu maior potencial em todos os aspectos de sua vida, assim como evitar complicações.

Para se atingir esse objectivo, 02 aspectos muito importantes devem ser sempre levados em consideração:

    1. Prognóstico: esse é o termo médico usado para definir o potencial de cada paciente. O prognóstico é muito variável de indivíduo para indivíduo e depende de inúmeros fatores como o grau de comprometimento motor; a presença de alterações associadas; o aparecimento de complicações e também da colaboração da família e do próprio paciente.Pode-se determinar o prognóstico ou potencial específico em cada área. Por exemplo, o prognóstico de marcha, a possibilidade da criança conseguir andar, depende da gravidade motora, do grau de atraso do desenvolvimento, da presença de outras deficiências associadas (visual, mental) etc. O prognóstico escolar, ou seja, o quanto se espera que a criança aprenda, depende principalmente de sua capacidade mental, mas também do quanto consegue usar as mãos, da sua capacidade visual e auditiva etc.
    2. Equipe multidisciplinar: diante de um diagnóstico que pode ter manifestações clínicas tão variadas, que atingem funções tão diferentes quanto à capacidade motora; a linguagem; a compreensão, etc., é impossível que um único profissional da área de saúde consiga tratar o paciente de forma adequada e abrangente.

A paralisia cerebral é um conjunto de desordens permanentes que afetam o movimento e postura. Os sintomas ocorrem devido a um distúrbio que acontece durante o desenvolvimento do cérebro, na maioria das vezes antes do nascimento.

Os sinais e sintomas aparecem durante a infância ou pré-escola. Pessoas com paralisia cerebral podem ter dificuldade com a deglutição e geralmente tem um desequilíbrio no músculo do olho. A amplitude de movimento pode ser reduzida em várias articulações do corpo, devido à rigidez muscular.

O efeito da paralisia cerebral nas habilidades funcionais varia muito. Algumas pessoas são capazes de caminhar, enquanto outras não são. Algumas pessoas mostram função intelectual normal, ao passo que outras podem apresentar deficiência intelectual. Epilepsia, cegueira ou surdez são condições que podem estar presentes.

No Brasil há uma carência de estudos que tenham investigado especificamente a prevalência e incidência da paralisia cerebral no cenário nacional. Entretanto, nos países desenvolvidos a prevalência encontrada varia de 1,5 a 5,9 casos para cada 1.000 bebês nascidos vivos, quando se estima que a incidência de paralisia cerebral nos países em desenvolvimento seja de sete casos para cada 1000 nascidos vivos. A explicação para a diferença da prevalência entre estes dois grupos de países é atribuída às más condições de cuidados pré-natais e atendimento primário às gestantes.

 

 

Tipos

As pessoas com paralisia cerebral podem ser classificadas, de acordo com a característica clínica mais dominante, em espástico, discinético e atáxico.

Paralisia cerebral espástica

É caracterizada pela presença de rigidez muscular e dificuldade de movimento. Ocasionada por uma lesão no sistema piramidal, a paralisia cerebral espástica é consequente do nascimento prematuro.

Paralisia cerebral discinética

A paralisia cerebral discinética se caracteriza por movimentos atípicos e involuntários. É ocasionada por uma lesão do sistema extrapiramidal.

Paralisia cerebral atáxica

A paralisia cerebral atáxica se caracteriza por uma sensação de desequilíbrio e falta de percepção de profundidade. É ocasionada por uma disfunção no cerebelo.

 

Causas

A paralisia cerebral é resultado de uma desordem cerebral que ocorre durante o desenvolvimento fetal ou, raramente por conta de uma lesão cerebral após o parto. Ela está presente no nascimento, embora possa não ser detectada por meses. Na maioria dos casos, a causa da paralisia cerebral desconhecida. Algumas causas possíveis são:

  • Infecções durante a gravidez que podem danificar o desenvolvimento do sistema nervoso do feto
  • Icterícia grave na criança
  • Fator Rh incompatível entre mãe e bebê
  • Trauma físico e metabólico durante o parto
  • Privação de oxigênio grave para o cérebro ou trauma craniano significativo durante o trabalho de parto.

 

Fatores de risco

Saúde materna

Certas condições durante a gravidez podem aumentar significativamente o risco de paralisia cerebral no bebê. Confira:

Saúde infantil

As doenças que afectam um bebê recém-nascido podem aumentar o risco de paralisia cerebral incluem:

Outros factores da gravidez e do parto

  • Nascimento prematuro;
  • Baixo peso ao nascer;
  • Bebê que nasce fora da posição normal (não está totalmente virado ao nascer);
  • Gravidez de gêmeos.
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